quarta-feira, 25 de novembro de 2009

o orgulho seca


O orgulho prende, seca, reduz.
O orgulho canta seu hino pelos morros e ri.
O orgulho fere, invade, cheira.
O orgulho come, se lambuza, sorri.

Mas quando a noite cai,
seus feitos perdem o lume,
o orgulho se curva ao betume,
e na íris se esvai.

Quantos olhos cabem em uma mão?
Voltados um para outro, presos na escuridão?

Vagam sem rumo certo,
marejados, descobertos,
sem centelha, sem razão.

E mesmo se finos pólens,
salpicados de emoção,
cobrissem seus cilíos pobres,
como um anjo em ascensão,

os olhos abobalhados,
não se veriam amados,
agouro de indigestão.

São como acordes de fado,
são lamentos sem razão.
São melodia sem rima,
açoite sem escravidão.

É vida que finda em si.
São crimes sem solução.

... só a vista no horizonte
é capaz de tal fusão.

Apenas olhos nos olhos
são presas de uma paixão.

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